Autora de "Poemas de Amor e Desamor", publicado em Outubro de 2008, Cláudia Moreira é também autora de alguns blogs dos quais destacamos Pessoas e Poetas e Coisas Minhas.
Com ela damos início a uma série de entrevistas com os nossos autores.
Cláudia, fale-nos de si...
Nasci em Vila do Conde em 1973. Cresci por aqui e estudei por aqui entre a aldeia e cidade. Casei numa pequena capela à beira-mar e tive dois filhos. Neste momento estou sozinha, é que nem sempre as histórias de amor têm um final feliz. No entanto não me sinto triste por isso, sinto apenas que cresci. Tenho os meus momentos felizes, outros menos. Mas a verdade é que ninguém é sempre feliz, não é?
Quando começou a escrever ?
Comecei a escrever desde que me lembro de saber escrever. Andava sempre a escrever qualquer coisa e dava-me um gozo enorme escrever as redacções na escola. Depois conforme a idade foi avançando, a escrita foi tomando a forma de diário, de desabafos, de desejos em forma de frases. Entre a prosa e a poesia escrevi muitas coisas só para aliviar a alma. Escrevi cartas, enchi folhas de palavras sofridas, escrevi histórias inventadas, escrevi a minha vida aos bocadinhos. Sonhei muitas vezes ser escritora a sério mas nunca achei que pudesse passar disso mesmo, dum sonho. Depois descobri os blogues e foi como descobrir um mundo novo. Pude dar asas à imaginação e escrever para um público, mesmo sem saber quem seria esse publico. E foi também através do blog que a minha querida Maria Helena me descobriu e me ajudou a transformar um sonho em realidade. É por causa dela que existe um livro chamado “Poemas de Amor e Desamor” Obrigada minha amiga! O primeiro passo está dado e eu estou feliz com isso. E mesmo que seja o último passo ficarei feliz na mesma porque já há algo de mim para a posteridade.
Quem escreve gosta de ler. Que tipo de leituras prefere ?
Não será fácil, porque são muitos. Sou bastante eclética em várias coisas e a literatura é uma delas. Gosto de variar e conhecer coisas novas. No entanto o meu estilo preferido é sem dúvida o romance ficcional ou histórico. A poesia também faz parte da minha estante como é evidente!
Posso nomear Pessoa, Eça, Eugénio de Andrade, e muitos outros portugueses. Posso nomear Milan Kundera, Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende, e muitos, muitos outros. A lista é demasiado extensa para os mencionar todos aqui.
Fale-nos do livro que publicou
Publicar foi de todas as coisas que fiz a que mais prazer me deu fazer. Apesar de ter sonhado com isso anos a fio, só mesmo depois de o fazer é que tive a consciência plena da alegria que se sente ao ver o nosso trabalho publicado, ao alcance de todos. A Autores Editora foi o mágico que transformou o meu sonho de publicar em realidade. Não me arrependo nem por um momento de ter aceite o desafio da Helena e ter feito a publicação dos meus poemas.
E por falar em publicar os poemas, vou falar um pouco sobre isso. O porquê dos poemas. Não foi um caso pensado. Não tinha sequer imaginado algum dia publicar poesia, mas a vida é assim. Faz-nos caminhar por veredas, caminhos sinuosos e acabamos por chegar a sítios nunca antes imaginados. Nos meus sonhos de criança imaginei-me sempre a publicar um grande romance que seria aclamado pela critica. No entanto, quando a oportunidade surgiu eu não tinha um grande romance escrito, nem um pequeno para falar a verdade. Tinha a minha poesia, escrita em muitas noites longas de pensamentos e reflexões, de lágrimas e risos. Por isso quando surgiu o convite a resposta era clara. Vou publicar os meus poemas. Vou publicar algo que já está escrito e que me dará um enorme prazer ver em livro.
O título veio como que agarrado ao tema da maioria dos meus poemas. Quase todos dentro do tema Amor, achei que poderia juntar os que mais gostava e dai resultar um livro de poesia bonito. Separei-os em poemas de amor e desamor, porque quis vincar bem a diferença entre os dois estados de espírito. Quem ama e é feliz porque é correspondido nesse amor e entre quem ama e sofre por não ter amor ou não ser correspondido. Achei que ficavam bem todos juntos, mais fortes na sua mensagem. Por fim, como não foram escritos para publicação, englobam uma fase alargada da minha vida, dai tanta diversidade de sentimentos e emoções.
Só me resta dizer que adorei e que se voltar a publicar algum dia, guardarei para sempre esta publicação como a mais importante, a mais doce, a mais mais da minha vida.
Que projectos para o futuro ?
Eu estou sempre a escrever. É quase como comer. Faz parte das minhas necessidades básicas. E estou sempre a escrever várias coisas ao mesmo tempo, há sempre um rascunho de algo a ser elaborado. A poesia surge sempre que sinto necessitada de extravasar sentimentos, estados de alma. Escrevo muitas vezes contos. Gosto de contar coisas, situações, falar de pessoas. Gosto de inventar vidas. Muitas vezes uso as personagens como forma de fazer transferência das coisas da minha vida passada ou dos sonhos ou medos do futuro. Penso que sim, que hei-de voltar a publicar. Isto é ligeiramente ciciante, e creio que quero voltar a sentir a alegria de publicar. E acho que ainda tenho mais alguma coisa a dizer…
Quer acrescentar mais alguma coisa ?
A minha família e amigos já sabem o quanto lhes agradeço pelo apoio recebido nesta fase da minha vida e em outras menos boas. Também sabem, porque eu já o disse mais que o uma vez, que sem eles eu não seria quem sou, e se escrevi algo bonito também lhe devo a eles.
A quem escreve digo que nunca desista de sonhar. Nunca desista de escrever. Nunca desista de tentar chegar mais longe.