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Autora de "Poeta Porque Deus Quer", publicado em Março deste ano, Maria João Brito de Sousa mantém alguns blogs dos quais destacamos o Poetaporkedeusker e uma Galeria Online onde expõe as suas pinturas. |
Maria João, fale-nos de si...
Foi no Liceu Nacional de Oeiras que concluí o Curso Complementar dos Liceus. Quem por lá passar, ainda por lá encontrará raízes minhas... tenho - penso que sempre tive e sempre terei - uma estranha e intensa afinidade com as árvores.
Casei em Oeiras, aos dezanove anos de idade, pelo Registo Civil que, nesse tempo, se situava junto à Câmara Municipal. Trabalhava então na Agência Abreu e aluguei uma casita em Paço de Arcos, junto à estação da CP. Engravidei logo de seguida e vim morar para a Quinta das Palmeiras, em Nova Oeiras, para um apartamento próprio que até hoje é a minha morada, o meu cantinho.
Tenho três filhas que por sua vez também têm uma filha cada uma. O único rapazinho morreu durante o trabalho de parto.
Quando começou a escrever ?
Quase juraria que comecei a escrever mal comecei a respirar... mas estaria a exagerar. Penso que foi assim que pude pegar num lápis! Comecei a escrever muito cedo mesmo. Como as primeiras revistas que me apaixonaram foram as de BD da Walt Disney que o meu pai coleccionava - escritas em Espanhol do México - as minhas primeiríssimas tentativas de escrita foram, também, em formato BD, numa estranha mistura de Português com Espanhol. Era uma autêntica "salada Ibérica". Antes disso, o género foi a Poesia que o meu avô registava e datava pois eu tinha menos de três anos. Infelizmente a esmagadora maioria dos meus poemas da primeira infância acabaram por se perder nas sucessivas mudanças de residência dos meus pais.
Tenho neste momento seis blogs, mas vou referir-me, essencialmente, ao Poetaporkedeusker, o meu primeiríssimo passo online e uma das minhas razões de viver...
Fui um tanto ou quanto suicida quando, subitamente e após ter descoberto o Poesia em Rede, do Sapo, me propus "construir" um blog sobre soneto clássico. Eu não fazia a menor ideia do que fosse um blog, de como se processava o intercâmbio de opiniões... de coisa nenhuma, em resumo. Era a ignorante mais ignorante que possam imaginar! Mas era, também, a mais teimosa que possam conceber e a coisa lá acabou por resultar...
O Poetaporkedeusker foi - e continua a ser... - a matriz, o "baptismo de fogo". Depois veio o António de Sousa onde me propus publicar, online, toda a obra poética do meu avô, o Mumbles onde vou tentando, em colaboração com a Associação Animal, dar largas a todo o amor que dedico aos animais não humanos, o Prémios e Medalhas quando descobri que o melhor era mesmo criar um blog só para "guardar" os presentes com que os meus amigos blogonautas me iam contemplando, o As montanhas que os ratos vão parindo , um blog criado num impulso para a poesia de rima livre e os vídeos do youtube e, finalmente, o Liberdades Poéticas , infelizmente muito pouco actualizado por falta de tempo, dedicado a uma linha de poesia mais contemporânea. Há ainda a Galeria Online, onde poderão ver algumas das minhas telas e encomendar trabalhos de originais digitalizados, em diversos tamanhos, sobre tela.
Se os dias tivessem, no mínimo, 72 horas, se a minha saúde o permitisse e se tivesse acesso à internet na minha casa, ainda tentaria pelo menos mais um blog dedicado à prosa e, quem sabe, um dia, mais um outro dedicado às crianças. Seria uma experiência nova para mim. É muito frequente eu sentir-me frustrada - só um bocadinho... - por sentir que a realidade física não consegue acompanhar as minhas necessidades criativas.
Quem escreve gosta de ler. Que tipo de leituras prefere ?
Gosto muito de ler mas confesso que leio muito pouco desde que iniciei o Poetaporkedeusker, em Janeiro de 2008. São as tais incompatibilidadezinhas entre o que se quer produzir e o que a realidade nos permite fazer...
Quem escreve gosta de ler. Que tipo de leituras prefere ?
Gosto muito de ler mas confesso que leio muito pouco desde que iniciei o Poetaporkedeusker, em Janeiro de 2008. São as tais incompatibilidadezinhas entre o que se quer produzir e o que a realidade nos permite fazer...
Gosto muito, mesmo muito, de tudo o que li de José Saramago. Apaixonei-me pela sua escrita com as “Crónicas deste Mundo e do Outro”, editadas pela Caminho na década de setenta, se não estou em erro. Mas o que mais me cativa são as personagens que ele constrói. Tudo é magnífico. A narrativa empolga-nos, a descrição faz-nos visualizar - a mim faz-me... - como se de um filme se tratasse, mas aqueles seus "filhos da escrita", as personagens, são criaturas extraordinariamente bem conseguidas! Não me recordo, em toda a minha vida, de ter contactado, através da leitura, personalidades tão bem retratadas... tão bem tratadas.
Jack London e Júlio Verne foram os grandes heróis da minha infância e adolescência e os meus dois livros de referência, nesse tempo e ainda hoje, foram "Os Bichos", do Torga e o
"Le Petit Prince" de Saint Exupéry.
Fale-nos do livro que publicou
Ah! O "Poeta Porque Deus Quer"... mas como posso eu encontrar palavras para definir toda a felicidade que essa publicação me trouxe? Se gostei da experiência? É claro que adorei a experiência! A Autores concretizou um sonho meu. Um sonho que sempre me pareceu muito longínquo... eu sentia, sempre, a necessidade de escrever, mas estava convencidíssima de que jamais teria a possibilidade de publicar um livro durante a minha vida. Passava-me, de quando em quando, pela cabeça a ideia de que talvez um dia, anos depois de eu morrer, um ou outro dos meus poemas viessem a fazer parte de uma colectânea qualquer. Mesmo assim teria de contar com o elemento sorte. Muito honestamente, foi sempre assim que eu imaginei as coisas...
Que projectos para o futuro ?
Não sei viver sem escrever. Escreverei sempre. Não é muito fácil fazer grandes projectos quando se vive uma situação de extrema e prolongada instabilidade económica. Não me refiro - apenas - à crise económica mundial. Refiro-me à minha crise económica pessoal que promete arrastar-se ao longo de toda a minha vida... prefiro não fazer grandes planos e concentrar-me cada vez mais no trabalho do dia a dia. Eu vou produzindo e, se surgir uma nova oportunidade, o essencial estará feito. Mas porque não sonhar um pouco mais? Gostaria de publicar mais alguns livros, sim.
Quer acrescentar mais alguma coisa ?
A todos os que gostam de escrever, claro! Não desistam, mesmo que, por vezes, a inspiração pareça faltar. Desde que vocês sejam realmente escritores, ela voltará sempre!
Fale-nos do livro que publicou
Ah! O "Poeta Porque Deus Quer"... mas como posso eu encontrar palavras para definir toda a felicidade que essa publicação me trouxe? Se gostei da experiência? É claro que adorei a experiência! A Autores concretizou um sonho meu. Um sonho que sempre me pareceu muito longínquo... eu sentia, sempre, a necessidade de escrever, mas estava convencidíssima de que jamais teria a possibilidade de publicar um livro durante a minha vida. Passava-me, de quando em quando, pela cabeça a ideia de que talvez um dia, anos depois de eu morrer, um ou outro dos meus poemas viessem a fazer parte de uma colectânea qualquer. Mesmo assim teria de contar com o elemento sorte. Muito honestamente, foi sempre assim que eu imaginei as coisas...
Que projectos para o futuro ?
Não sei viver sem escrever. Escreverei sempre. Não é muito fácil fazer grandes projectos quando se vive uma situação de extrema e prolongada instabilidade económica. Não me refiro - apenas - à crise económica mundial. Refiro-me à minha crise económica pessoal que promete arrastar-se ao longo de toda a minha vida... prefiro não fazer grandes planos e concentrar-me cada vez mais no trabalho do dia a dia. Eu vou produzindo e, se surgir uma nova oportunidade, o essencial estará feito. Mas porque não sonhar um pouco mais? Gostaria de publicar mais alguns livros, sim.
Quer acrescentar mais alguma coisa ?
A todos os que gostam de escrever, claro! Não desistam, mesmo que, por vezes, a inspiração pareça faltar. Desde que vocês sejam realmente escritores, ela voltará sempre!
E se sentem, se acreditam que têm um dom, usem-no, trabalhem-no! Nós não somos só o que fazemos aqui e agora. Somos também as "pegadas" que por cá deixarmos...
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