|
Autora de "Palavras Sentidas", publicado em Junho deste ano, Idalina Pata é, também, a autora dos blogs "Pata Curiosa" e "Linhas e Letras".
Quisémos conhecê-la melhor e esta foi a entrevista que gentilmente nos concedeu. |
Idalina, fale-nos de si
Nasci numa aldeia do Alentejo que se chama Sabugueiro, perto de Arraiolos, saí de lá com quatro anos e fui viver numa herdade perto de Lavre, onde hoje há uma reserva natural que se chama “Monte Selvagem”. Aí vivi a minha infância até aos dez anos e fui muito feliz a viver no campo, andava muito com os meus Pais enquanto eles trabalhavam. Aos doze anos comecei também a trabalhar no campo, nessa altura era normal começar-se a trabalhar cedo, talvez por isso eu gosto tanto do campo.
Estudei em Lavre mas a quarta classe fui fazê-la a Coruche porque já vivia em Santana do Mato que fica perto. Depois voltei para trás e fui outra vez viver para Lavre onde casei com catorze anos, estive lá até aos dezasseis e daí é que vim para Alhandra em 1966, com a minha filha mais velha com seis meses e nessa altura estava o meu marido no Ultramar na guerra, dois anos mais tarde nasceu a minha outra filha, que tem agora quarenta
Quando começou a escrever ?
Eu comecei a escrever já o meu marido tinha regressado da guerra , nessa altura a minha vida complicou-se bastante, porque as pessoas da minha geração sabem que os nossos homens iam para a guerra umas pessoas normais e depois vinham de lá completamente transtornados, eu e milhares de mulheres passámos um mau bocado por causa disso.
Foi na escrita que eu me “refugiei” para fugir a um “martírio” que me perseguiu durante quinze anos, então comecei a escrever tudo o que me vinha á cabeça e comecei a escrever quadras, a ver se isso aliviava o meu “sofrimento” e fui sempre escrevendo e escondendo o que escrevia e assim andei quase quarenta anos.
Em 2007 meti na cabeça que tinha de comprara um PC e como sou muito curiosa e gosto de saber coisas novas, comprei o PC. Nunca tinha tocado sequer num aparelho daqueles mas como gostava muito, depressa aprendi, com algumas ajudas fiz um blog e comecei a publicar as coisas que tinha escritas e comecei a escrever de novo e o resultado é o que se está a ver.
Estou a adorar a experiência
Quem escreve gosta de ler. Que tipo de leituras prefere ?
Pois eu também gosto muito de ler, ultimamente li o livro da Júlia Pinheiro “Não sei o que é o Amor”, “Alma” da Luísa Castel Branco e agora vou ler “A vida num sopro” de José Rodrigues dos Santos que comprei ontem para oferecer á minha neta mas vou lê-lo também.
Não gosto de ler coisas muito complicadas, gosto de ler coisas que eu entenda bem e que não tenham muita ficção
Fale-nos do livro que publicou
O livro que publiquei foi um sonho tornado realidade, eu nunca pensei em publicar, até porque achava isso impossível, agora que já o fiz estou a adorar e acho que não vou ficar por aqui.
Que projectos para o futuro ?
O futuro a Deus pertence. Claro que continuo a escrever Poesia e penso publicar mais um livro para o principio do ano. Material tenho de sobra e quero aperfeiçoar a minha maneira de escrever.
Quer acrescentar mais alguma coisa ?
Quero apenas dizer que vou continuar a escrever e a aprender sempre cada vez mais, e principalmente vou tentar aprender a pontuar que é uma dificuldade que eu tenho, mas que quero corrigir.
Quero dizer a quem gosta de escrever ou fazer seja o que for, que não guarde só para si esse prazer, que sabe muito melhor quando dividimos o que sabemos com os outros. Não façam como eu que perdi muitos anos da minha vida que podiam ter sido melhor aproveitados se eu não tivesse medo de ser criticada.
Agora quero agradecer a alguns amigos virtuais em especial à Maria João Brito de Sousa que me ajudou a concretizar este sonho e à Autores Editora por me ter dado esta oportunidade, porque sem eles isto nunca seria possível.
E quero também dizer que tudo o que faço e o que escrevo é a pensar nos meus netos, eu quero que eles fiquem com uma boa recordação da Avó. Por isso cada livro que eu fizer será sempre com o pensamento neles. Um beijo muito grande para eles, e o meu agradecimento a todos que tornaram isto possível.
Muito obrigada
Parabéns por mais estas "palavras sentidas", Idalina! É sempre um prazer saber que nunca desistirá!
ResponderEliminarUm grande abraço!
Obrigado pelas suas palavras tão sinceras, eu gostei muito de ler a sua entrevista, mas foi nos dias em que andava um pouco á "Deriva" e acabei por não comentar e houve lá umas frases suas que me deixaram ainda mais deprimida do que já andava.
ResponderEliminarMas admiro a sua força para lutar por aquilo que quer mesmo perdendo sempre algo de muito importante, e que eu não sei se conseguía suportar, é que eu não sei viver sem ter o Amor da minha família.
Um grande abraço